O futebol e a discussão futeboleira portuguesa, não são coisas que me incomodem ou me façam pensar duas vezes.
A Selecção Portuguesa de Futebol é desculpa para patuscadas lá em casa e o Benfica para dizer umas asneiradas com os colegas.
Dispenso os Donos do Jogo, a Frente de Ataque, os jornais diários desportivos e as escolhas de roupa do Rui Santos.
Não me meto nestas tricas de desporto, mas Professor Carlos Queirós:
não acha que despedimento por justa causa é pouco?
Talvez a medida certa fosse o processo civil por difamação e mais qualquer coisinha pelas palavras proferidas aos elementos da brigada anti-doping.
Pedro Passos Coelho já não está em estado de graça, mas não está certamente no mesmo estado que se encontrava Manuela Ferreira Leite em Março de 2009.
As subidas nas sondagens pararam ao fim de alguma actividade e Marcelo Rebelo de Sousa já deu a primeira alfinetada na sua direcção:
“Só se estiverem loucos”, disse. “Aliás, eu já acho um bocadinho de loucura aquela conversa que ouvi há dois dias, que era um vice-presidente do PSD a dizer assim: mostrem lá o Orçamento até 9 de Setembro, que é a data em que termina o prazo para o Presidente dissolver [o Parlamento], para nós sabermos como é que votamos e saber se o Presidente deve dissolver ou não”, disse o comentador social-democrata.
Os apoiantes e detractores já se aperceberam que a estratégia de contacto diário com media tem efeitos secundários e o tempo escasseia também devido a esses efeitos.
A decisão do Presidente da Republica está datada e não estão reunidas as condições de a 9 de Setembro derrubar o Governo por esta via:
Está instalado o pânico. Com prazo tão curto, basta ao governo PS não fazer nada e nada dizer. Por isso a culpa é agora do sistema, que tem normas sujas e indignas por serem meramente Administrativas.
Pois… A culpa é do sistema, que nada deixou à arbitrariedade do árbitro.
A dúvida desgasta, ocupa, moí, mina e impede a lucidez. Toldar algo ou alguém com dúvidas faz com que tudo o que diz, faça, represente ou pense vir a ser se torne mais duvida.
A dúvida é assim ela própria geradora de mais dúvida. A dúvida aquietadora e toldadora reduz a possibilidade de resolução logo à partida por não poder ser ignorada e para sempre influenciar a decisão.
Quando é dúvida de amor, deixa-se ao coração decidir e tem de se adormecer a razão. A razão não precisa do coração e tenta por isso a todo o custo levá-lo ao engano.
Quando a dúvida não é do coração, julga-se perante os envolvidos, de acordo com as regras pré-definidas, utilizando apenas os factos e aceitam-se as conclusões.
Quando se julga, julga-se com o objectivo de desfazer a dúvida, acabar com o que a dúvida criou e continuar sem mais ses e porquês.
Aceita-se à partida que para esse julgamento só os factos servem e que os indícios sobejantes, eles próprios geradores de dúvida, devem ser descartados para sempre por não se ter provado constituírem apontadores para factos ou não se conseguir encontrar os factos para que parecem apontar.
Aceita-se que ao acusador, ao que levanta a dúvida, cabe a obrigação de transformar a duvida em factos, e aos que assistem, aqueles que julgam, cabe identifica-los como tal, evitando as falácias na argumentação de quem lança a dúvida.
Não podemos julgar e julgar e julgar os mesmos indícios vezes e vezes sem conta. Não é produtivo, nem racional e apenas gera dúvida, mas talvez seja esse o objectivo de quem dia após dia após dia após dia após dia alimenta a dúvida. Isso já nada tem a ver com a razão, aquela da lógica, mas com uma razão motivada, que de lógica já não tem nada e que tem tudo de emoção.
Isto podia ser sobre as coisas de um julgamento feito pela razão, mas acaba por ser também sobre as coisas do coração. O coração parece pois ter uma parte nas coisas da razão.
Este texto foi inspirado no que se disse aqui “A ‘táctica Calimero’ falhou” * « BLASFÉMIAS, aqui O primeiro dever de um jornalista – Delito de Opinião, aqui “Why Evolution May Favor Irrationality – Newsweek”, aqui O acessório do anterior cerne – jugular, aqui Câmara Corporativa: Simplesmente triste e também por aquela que me ocupa o coração.
No Delito de Opinião, Pedro Correia, julgo que do Diário de Noticias, escreve que O primeiro dever de um jornalista é informar.
Se “o primeiro dever de um jornalista é informar.“, que prioridade deve um jornalista dar a esse relativamente aos direitos inscritos da Constituição da Republica Portuguesa? Devem os deveres de uma pessoa sobrepor-se aos direitos de outra? Não vale invocar o direito de informação dos outros porque o jornalista não têm legitimidade democrática ou legal para representar os outros. Não sei se será caso de conversar primeiro com um Provedor do Leitor antes de opinar…
Será que a “Essa diligente rapaziada” a que se refere, não será ele mesmo quando propõem que está tudo bem em pisar direitos e legalidades desde que se cumpra com os fins que defende?
Será que os “teóricos que nunca escreveram uma notícia na vida” a que também se refere é alguém dali do Jugular? Ou será alguém dali do Blasfémias?
Será do tempo ou não fazia parte do guião insultar também os Abrantes do Câmara Corporativa?
Este dever invocado para os jornalistas sofre do mal de só se ver a ele próprio, ignorando por completo todos os que o rodeiam.
É também dever de um jornalista não se tornar notícia, mas ultimamente já são muitos os que, demasiado enleados nas teias de contactos que teceram para chegar à noticia, descobrem as suas acções transformadas em noticia.
Liguem lá este post agora à Maçonaria cor-de-rosa, ou seja lá qual for o nome esquizofrénico e paranóico com que desumanizaram os vossos opositores políticos.
Das caixas de comentários do quadrante mais à minha esquerda ao ponto na Internet em português mais distante à minha direita, entretém-se a populaça atirando acusações de comprometimento moral e falta de ética.
“Cala-te, oh f.” de um lado. “Prendam o Cerejo” do outro. Os acicadores de feras e catastrofistas de serviço lá estão para provocar as reacções mais bestiais nas caixas de comentários.
No blog do Cachimbo de Magrite (à minha direita) um comentador que diz ter 16 anos e dar pelo nome de Carlos França (acusado de se encontrar à minha esquerda) é acusado por um Anónimo (à minha direita) de se tratar de outro pseudónimo de um autor do blog Câmara Corporativa pelo seu outro pseudónimo de Miguel Abrantes (à minha esquerda).
Ainda me estão a acompanhar? Acham que mais alguém para alem dos envolvidos está realmente interessado nisto?
Como é silly season, ficam as analogias de merda para ilustrar a javardice que para ali vai:
Entendo que aqueles que como eu tem mulher e filhos para se preocuparem, querem mais é que fique tudo resolvido sem chatices. Resolvam lá isso e parem com o barulho que as crianças querem dormir.
As férias são como uma amante.
Bem sei que já disse como as analogias são uma merda, mas acompanhem-me nesta.
Como com a amante, as férias não têm chatices para resolver, só felicidade e prazer.
As férias são aquele momento na nossa vida em que tudo cheira bem e nada dá trabalho.
Nas férias somos todos estrelas da sociedade e só queremos guardar na memória um momento bem passado que nos ajude a percorrer o tempo que fica até às próximas férias.
Como com as férias, há aqueles que perdem a noção de que as amantes não estarão lá para sempre e que a vida não são 15 dias ao sol, mas um cem número deles ao lado daquele que amamos.
Aquilo que não faríamos, mas seria óptimo que outro o fizesse.
Acto de atrapalhar de forma bem intencionada.
Primeiro querem estímulos. Depois de os receberem, dizem que governo gasta mal por estar a entregá-los a outros. Agora queixam-se que lhes tiram o estímulo. É a política tuga no seu melhor.
As empresas portuguesas são como aqueles gaiatos que quando crescem, acham que tudo o que o papá fazia é errado e que passariam muito melhor sem as decisões do papá, mas quando estão enrascados voltam para casa do papá a pedir ajuda.
Assim se comportam os nossos empresários, apresentando-se como responsáveis e atirando pedradas ao charco a favor de maiores facilidades para este ou aquele desígnio nacional que no deve e haver apenas os beneficiará a eles:
Que eles se governam , não é segredo, mas já se esqueceram que foram os mesmos que criticam que lhes deram a mão quando estavam para perder tudo.
Mas os cidadãos a título pessoal não são melhores. Vêem os estímulos que lhes são dados como obrigações.
As auto-estradas não portajadas geraram na altura da sua criação enorme polémica na oposição ao governo, na altura PS se bem me recordo.
As donzelas ofendidas eram então as mesmas que agora não querem que o governo acabe com o estímulo e passe a cobrar portagens.
Dizem agora que se eles vão pagar portagens, que todos devemos pagar, mas nunca os vi defender o seu contrário: “Como é possível não se pagar portagens aqui e pagarem os nossos concidadãos lisboetas?! Que anti-social!”
Mas nada disso. E eu, lá vou pagando o imposto diário para entrar em Lisboa, que aqui somos mesmo rijos e fortes, com ou sem estímulos.
Aqui os comentários são livres. O software limpa automaticamente mensagens de SPAM, mas o resto tem tudo direito a tempo de antena.
A desculpa dos que não entendem que a liberdade deles acaba onde a dos outros começa é sempre a mesma: se lhes damos liberdade, fazem coisas inomináveis. E como exemplo lá vem a quantidade de asneiras que todos os dias se vai dizendo por essa Internet fora.
As pessoas dizem muitas barbaridades na Internet, mas dizem asneiras bem piores nas mesas dos cafés da Avenida de Roma e nem por isso se manda colocar moderadores nos cafés para escolher quem fala e quem pode dizer o quê.
Ninguém pode determinar o que cada um é livre de dizer, escrever ou pensar numa mesa de café, numa caixa de comentários ou num artigo de opinião.
E depois há aquelas coisas simples da vida:
Parem lá com as elaborações absurdas de legislação e as fábulas mal contadas sobre os crimes da Internet. Ofensas são ofensas, num jornal impresso ou na Internet.
Naturalmente que são livres de deixar que comentem ou não nos seus sites, mas moderar é escolher quem pode ou não comentar e o que pode ou não dizer. Escolher opiniões é censurar.