Monthly Archives: Dezembro 2000

Long time no see…

Finalmente vamos poder falar novamente à boca cheia de desgraças. Digo finalmente pois que não pensem os portugueses que são melhores que os mexicanos.

O português adora uma boa desgraça.

Algo que lhe permita exclamar “”Héééé…!!!”” ou “”Xiiii…!!!””. Se a história tiver um actor principal com mais azar do que Jó, então aí as audiências vão ao rubro e em lugar de “”Aleluia”” diz-se “”Coitado…”” e sentimos todos um desejo enorme de dar as mãos e ir a um concerto dos Delfins cantar: “”Soltem… os prisioneiros. Soltem… os prisioneiros.””

Mas melhor que uma desgraça é um bom acidente.

De preferência um David humano contra um Golias mecânico, mas que desta vez a história não se perpetue e 12 toneladas de aço e rodas passem um cidadão incauto a ferro que acreditou que podia atravessar em segurança. Isto leva-nos a perguntar:””Então aonde está a segurança de atravessar na passadeira?””

Nas escolas diz-se às crianças que só estarão em segurança se atravessarem nas passadeiras, mas nem assim. O que é que uns riscos brancos no chão podem fazer contra o Golias de aço? E os cartazes “”Se conduzir não beba.”” o que é que podem fazer?

Não deveria investigar-se sistemas electrónicos que permitissem controlar a velocidade dos carros ao aproximarem-se das passadeiras?

E o carro não poderia estar equipado de um sistema que impedia a sua utilização caso se detectasse álcool no sangue através da respiração?

Parece que as fundações não servem para essas coisas, essas porcarias de investigação, em que um porcalhão qualquer que usa a mesma roupa 3 dias seguidos e dorme em cima da bancada de trabalho em favor dos seus concidadãos e da humanidade, investiga e regista processos de melhorar a vida humana.

Parece que afinal o Governo e as suas instituições não servem para fiscalizar e investigar maus usos dos dinheiros públicos, uma vez que são eles próprios os primeiros a fazerem mau uso deste. Então para que serve pagar os impostos?

Para que serve fazer tudo como manda a lei se quem não o faz não é punido judicialmente pois que politicamente é possível arrastar Ad Eternum julgamentos por forma a que estes prescrevam? (Ex.:Casos Aqua Parque e facturas falsas).

Para que serve sustentar o Serviço de Estrangeiros, se quando é chamado para actuar não o pode fazer, dada a necessidade que o nosso país têm de mão de obra barata?

Para que pago eu os impostos camarários se o que se pretendia que era uma fiscalização efectiva de más construções, mesmo em termos de engenharia, que desmoronam ou foram construídas com materiais de 3ª e 4ª categoria mas vendidas como habitações de primeira?

Quem são este senhores que dizem que fazem o que o povo deseja e como conseguiram eles ouvir o povo? É que existe a impossibilidade tecnológica do um ouvir os muitos, mas o um pode falar aos muitos.

Assim a nossa democracia é à partida uma palhaçada representativa: Lá temos nós os palhaços que representam outros palhaços.

Uma verdadeira palhaçada, com Batatinha e companhia, e o Batatinha só bate no Companhia se for obrigado, pois precisa dele para ser o seu capataz de serviço, e tal peão de xadrez, sacrificar, mas a custo, na altura certa.

Mas não pensem vocês nem eu que estamos isentos de culpas.

Somos todos culpados, e se eu fosse pregador de uma religião seria não a do amor ao próximo, mas a da Culpa para todos.

Sim. E hoje é dia da agressão.

Aponto a vocês o dedo por serem culpados de votarem apenas nos que mostram obra feita, mas na realidade a obra que precisamos é legislação e meios de implementar.

Aponto o dedo na minha direcção, uma vez que capacitado com a possibilidade de divulgar ideias mais fecundas, me divirto na minha segurançazinha ignorante, a escrever graçolas sobre cegonhas e outras histórias com índole mais ou menos sexual.

Não pensem que serve bater com os pés no chão e berrar para solucionar um problema. O sistema a já se habituou a isso e a é mossa que passa rápido.

A grande questão é se queremos mesmo mudar o sistema.

Não há volta a dar.

O país está a saque e o barco em que seguimos é o mesmo donde saltou o Miguel Ganhão Pereira, para se estatelar contra as águas frias do Tejo, apenas para que o povo pudesse dizer: “”Xiiii. Coitadinho…””

Se houvesse Oscar do desgraçadinho, iria para esta história.

Farto das agruras deste mundo, decidiu partir em direcção ao sono eterno, apenas para os que ficam especularem: “”Ouvi dizer que era gay.”” ou “”Se calhar descobriu que a filha não era dele.””

Nada de bom fazemos a nós próprios. Nem a memória de um jovem que não aguentou a pressão deste mundo a 200 à hora é respeitada, e mesmo por aquele que na realidade ele defendia.

Não existem Bahamas onde nos possamos refugiar a não ser na morte. Talvez por isso a taxa de jovens a decidirem-se pelo suicídio deve-se ser interpretada como um sinal de aviso.

Mas que não se aproveitem os nossos Deputados, governantes, administradores e directores para lavarem as mãos pois dizendo que a culpa é do povo, uma vez que foram por nós mandatados para olharem para a vida como ela é e não como eles pensam que devia de ser.

A vida é assim, crua e sem sentido, mas alguns como eu mantêm-se teimosamente de pé sem desistir, não querendo por isso dizer que seja mais fácil.

Apenas aprendemos a viver com isso, engolir em seco, apertar os lábios no sorriso possível e seguir em frente, pois que como diz quem sabe “”Para a frente é que é caminho.”” e para trás ficou o medo. Coragem e Bom Natal.