Monthly Archives: Outubro 2009

A loucura dos quarenta

Em Janeiro celebro os meus quarenta anos de vida.

Ao contrário de outros humanos mais estereotipados do sexo masculino, não tenciono comprar uma mota e juntar-lhe uma loira com metade da minha idade.

Penso em celebrar este dia na companhia da minha mulher degustando o que de melhor haja para a mesa em Portugal e possa ser servido a um casal nos seus primeiros ‘entas:

  1. Abria com um leve e enrabichado almoço acompanhado de algum vinho branco.
  2. Passava por um lanche de pratitos de ovinhas e orelha de porco bem aportuguesados e acompanhados de umas ‘jolas fresquinhas e desprovidas de preconceitos.
  3. Fechava num restaurante japonês de escolha para me encher de Sushi até deitar por fora.

Por outro lado, a ideia de fazer uma festa de partir a moca não deixa de fazer sentido na minha cabeça. Afinal é a partir dos quarenta que:

  • Pagamos a conta pelas nossas acções e decisões passadas;
  • Perdemos a rigeza física que até aí nos caracterizou;
  • Passamos de jovens excitados com excesso hormonal a velhos porcos.

Trata-se por isso da ultima oportunidade para contrair dividas futuras com a vida enquanto ainda temos capacidade de pagar.

A falta de experiência por 20 anos de bom comportamento estão a tornar difícil imaginar mais que alguma loucuras relacionadas com bebida e stripers.

Será que é a este constante pensamento de “não sei que fazer” que chamam andropausa?

Saramago, Biblia e Caim

Não li ainda o “Caim”, mas desconfio que não vai ser tão cedo pois a “Viagem de um elefante” ainda ali está na cabeceira da cama.

José Saramago está velho, e admito que pessoalmente o ainda nosso Nobel da literatura é pelos seus negativismos e ditos pessoa que me merece o desprezo.

Não tomou chá com as tias para aprender modos e o olhar de superioridade não ajuda a engolir as coisas que diz.

Há um mas: tenho de concordar quando afirma que a Bíblia esta repleta de historias medonhas.

A Biblia serviu no seu tempo o propósito de ser o veiculo das convenções a adoptar por todos os membros da sua Igreja.

Estão lá todos os maus exemplos para nos ensinar sobre a maldade e pequenez do ser humano.

Se o ser humano não recebeu nenhuma melhoria até hoje, já não servirá hoje a Biblia para melhorá-lo.

Agora que mudámos as caras em São Bento…

Em São Bento temos novas caras que vamos conhecer brevemente.

Não falo do governo, porque esse tem a cara de José Socrates venham lá que Ministros vierem, mas da Assembleia da Republica.

Todos dirão:
– Eu estou do vosso lado. Farei tudo o que vos disse na minha campanha eleitoral. – Mas não nos dirão o quando. Afinal, quem governa terá de tomar a iniciativa e a oposição terá a reacção que já sabemos: opôr-se.

Quando lá chegam, concluem sempre que é impossível. Isto serve para todos os políticos:
– O antecessor gastou o que havia, deixando-nos a todos na miséria.

Com tanta informação e acto publico, mas depois com tanto desconhecimento, fico com a sensação que os opositores nunca estudaram a lição.

Depois vêm as desculpas do costume:
– A vida está difícil para todos. Eu nem vou poder trocar o meu BM pelo modelo novo. Onde é que isso já se viu. O que é que vem aí a seguir? Ainda me pedem para guiar o meu próprio carro.

Para poupar o dinheiro dos contribuintes vão propor que Institutos públicos sejam fundidos e que outros sejam separados.

O Governo vai dizer que não vai despedir ninguém quando mandar apertar o cinto. Excluiu logo à partida os quadros técnicos, médios e administrativos.
Questionados sobre a razão desta actuação afirmarão:
– Se os despedirmos, quem é que vai efectuar o trabalho?

Como politica de contenção de despesa, o CDS-PP vai investigar e descobrir que alguns funcionários do estado não usam totalmente o subsidio de refeição para comer.

Confrontados com esta descoberta, afirmarão em comunicado que irão propor cortar-lhes o subjante do subsidio. Afinal de contas, se não o usam para comer, é porque não precisam.

O baile está armado. Fico com a ideia que fosse qual fosse o resultado das eleições, eu não ficaria satisfeito com o que viesse a seguir, não porque fosse ideologicamente contra, mas porque a seguir vem sempre as desculpas de mau orçamentista.