Moderar é escolher

A questão de moderar comentários não é de circunstância ou legalidade: é de principios e de política. Lembram-se destas coisas talvez dos vossos tempos de juventude?

José Pacheco Pereira vem agora com a ideia luminosa que os jornais permitem os comentários não moderados para fazerem mais dinheiro.

Não lhe passou sequer pela cabeça que os ditos jornais têm obrigações nas suas publicações que ele não tem e por isso se pode dar ao luxo de impedir comentários no seu blog?

Não consegue imaginar que pessoas sem formação cívica possam ter direito à opinião?

Não entende que quem dá errus 0rtográficus pode ainda assim saber o que quer dizer?

Não lhe passou pela cabeça que esse modelo de negócio fantástico baseado na escassez do meio que era o das distribuidoras de informação é um modelo esgotado?

Não saberá que o que os Page Views estão a aumentar aos jornais é a conta de alojamento e ligação à Internet? (A conta é algo que quem aloja de forma gratuita com o Sapo ou Blogspot não tem.)

Não lhe passou pela cabeça que impedindo ou moderando os comentários no seu próprio espaço, os seus leitores o iriam fazer para outro lado?

Os blogs não são jornais. Não se baseiam no modelo de falta, mas num modelo de nicho.

Os blogs de alguns senhores servem um nicho de leitores diferente do que defendo: Ou porque gostam da ideia de uma méritocracia, ou porque gostam da utopia da democracia sem mácula ou porque gostam mesmo de não ter a liberdade toda, mas uns tons menos vivos da mesma por não suportarem emoções mais fortes.

O meu blog e o de tantos outros serve nichos próximos de leitores que gostam de dizer o que lhes vai nas entranhas, mas não se querem dar ao trabalho de fazer um blog só para vos contradizer.

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