Quando os homens se casaram com as máquinas

O homem tem grande dificuldade em adaptar-se ao funcionamento de qualquer objecto mecânico em que não consiga relacionar a causa efeito directamente.

Quando houver lugar a alterações no sistema, o utilizador deverá ser informado.

A máquina foi feita à imagem das necessidades do homem e não o contrário.

O novo é ilusório e na www não existem acções novas.

São todas enviar ou receber informação.

O homem e a máquina não se ligam, a sua relação não é harmoniosa e nem o barulho da máquina é como música, como pretendia o manifesto Futurista.

Desde que o homem inventou a roda que tem vindo a aperfeiçoar os seus usos.

A pedra lascada e a sua forma de uso evoluíram para os outros objectos de corte que temos hoje. No entanto nem toda a história do mundo serve para ensinar uma criança.

Uma tesoura a abrir e fechar devolve nitidamente ao seu utilizador uma relação causa efeito para o seu uso.

“”Se eu apertar as extremidades destas duas facas, e com elas apertar um objecto de espessura reduzida, este irá dividir-se.””

Este é um raciocínio simples e não obrigou a nenhum treino específico.

O seu utilizador percebeu perfeitamente a ação do objecto e a sua abrangência.

Os homens não compreendem imediatamente o funcionamento de um automóvel quando o vêm.

É um objecto obscuro, com algum grau de dificuldade de manobra e com um momento de aprendizagem alargado.

Uma verdadeira caixa negra para algumas pessoas.

No entanto ele pode levantar o capot e se lhe explicarem todas as tesouras de que é composto ele poderá sentir-se mais à vontade com o seu uso.

Mas mais uma vez o momento de aprendizagem não é reduzido.

Hoje em dia surgem outros paradigmas.

O paradigma da World Wide Web, espaço hipertextual que interliga todos os computadores que a ele aderem, criou em par da Internet um novo mundo por explorar, que por mais anos que passem nunca dará a possibilidade de análise directa pelos utilizadores em lógicas simples causa efeito.

As lógicas envolvidas são muito mais complexas que as do mundo real e acima de tudo não são visiveis.

Assim os desenvolvimentos na www deverão ser sempre mais cuidadosos e menos repentinos.

Quando houver alterações ao sistema, o utilizador deverá ser informado claramente da acção que originou a alteração, permitindo sempre identificar um nexo casualidade linear, sem presupostos escondidos.

Antes de executar a acção ele deve ter sido informado que o vai fazer. Ninguém poderia imaginar que uma vez explicado o significado de cadeira, quando surgisse um objecto da mesma classe o passassem a chamar de “”Sentopede””, uma vez que esta classe de objectos já existia.

Mas os “”Web Designers”” (Um dia falarei deste termo) continuam a querer criar novas palavras para criar valor nos seus novos botões ou funcionalidades, mas na realidade quem está a trabalhar na www não faz nada de novo.

Tudo são acções que permitem o envio ou a recepção de informação e quem disser o contrário nem compreende a própria base, que é o esquema de comunicação. (Guardamos esta para mais tarde).

Se não há nada de novo para criar, então estaremos a mimetizar o que no mundo físico poderíamos fazer. Mas com a certeza porém que certas pessoas não abarcam ainda as totais repercursões das suas acções nesse mundo.

Assim, se devemos mimetizar o que se passa no mundo real, deveremos também adaptar os seus nomes, sem e-qualquer coisas e sem qualquer coisas -e.

Correio é uma mensagem de comunicação assincrona e conversação é uma comunicação sincrona.

Por favor, não se deixem inchar pela possibilidade de criar algo de novo como nos EUA com o termo Xerox.

Quando inventarem algo realmente novo poderão estar tão ocupados a criar o novo nome que alguém acabe por criar algo semelhante e vos roube a autoria.

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