Estado de depressão colectivo
Encontramo-nos em estado de depressão colectivo. Não porque tenhamos sido despedidos, nos tenha morrido um parente querido ou porque estejamos doentes, mas porque não acreditamos que o futuro traga mudanças reais, melhoras ao estado em que nos encontramos ou alteração a como as coisas acontecem.
Perguntamo-nos:
- Em que é que este governo é melhor que os outros que o antecedeu?
- Em que é que este primeiro ministro é melhor que o que o antecedeu?
- Porque é que havemos de confiar na gestão destes que lá estão agora se os resultados obtidos poderiam ser os mesmos com qualquer gestor desqualificado?
Quem são afinal as pessoas a quem confiamos os nossos direitos?
São pessoas IGUAIZINHAS a nós. Nem mais nem menos.
Foi não assumirmos isso é que nos levou a estar desconfiados e deprimidos face ao que o futuro nos trará.
Estes senhores não passam de seres humanos, sem possibilidades de melhoria à definição inicial do ser humano. E isto independentemente de acreditarem que os seres humanos são uma obra divina ou um acaso da evolução.
E não estou a identificar qualquer cor ou feitio e muito menos a perdoar, mas são seres humanos com medos e necessidades humanas, reacções e alterações todas elas muito humanas.
Cada um no seu pelouro a representar o que de melhor e pior temos no nosso espécime:
- Choramingas ou vigaristas;
- Vitimas ou aldrabões;
- Fieis ou infiéis;
- Monogâmicos ou poligâmicos;
- Protectores ou predadores;
- Observadores ou observados;
- Culpados ou inocentes;
- Acusadores ou acusados; mas
- Acima de tudo humanos.
Humanos que por vezes são sedentos de dinheiro, outras vezes de comida, outras vezes de sexo, e não são perfeitos. São acima de tudo muito humanos.
Se não tivéssemos depositado tanta confiança nos nossos representantes, lideres, chefes e outros topos de hierarquia, não estaríamos hoje tão decepcionados e deprimidos.
Estivemos em negação. Negação que eles são humanos e por isso iriam falhar-nos.
Teremos de passar pelos 6 estados de morte anunciada até renovarmos a esperança:
- Negação;
- Fúria;
- Negociação;
- Depressão;
- Aceitação; e
- Esperança.
Estaremos em negação enquanto apoiarmos uma politica de show off.
Enfurecer-nos-emos quando virmos os nossos queridos e amigos a serem sugados por recessão e despedimentos.
Negociaremos quando permitirmos que se mantenha a fantochada para garantir estabilidade.
Entraremos em depressão quando nos apercebemos que de nada nos valeu termos estabilidade.
Temos mesmo de aceitar. Por favor, aceitem que temos perante nós nada mais que meros humanos. Pessoas falíveis, incapazes como tantos outros de combaterem os seus instintos mais básicos: sobrevivência e reprodução.
Enquanto não aceitarmos que estes são o que temos, enquanto estivermos a aguardar por D. Sebastião, enquanto não aprendermos a controlar os que temos, não conseguiremos passar para o estado da esperança.
Sem esperança há futuro, mas de que nos serve?
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